A FINALIDADE DA PSICOTERAPIA É ENTENDER O QUE ESTÁ OCORRENDO COM O PACIENTE, PARA AJUDÁ-LO A VIVER MELHOR, SEM SOFRIMENTOS EMOCIONAIS, AFETIVOS OU MENTAIS. NESTE BLOG, HÁ DIVERSOS ARTIGOS SOBRE A PSICOTERAPIA - PARA QUE SERVE E POR QUE TODOS DEVERIAM FAZÊ-LA. NESSES ARTIGOS, VOCÊ VAI LER SOBRE A PSICOLOGIA DO COTIDIANO DE NOSSAS VIDAS.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

CUIDADO, VOCÊ PODE ESTAR SENDO MANIPULADO!



Pelo simples fato de vivermos em sociedade, há uma enorme chance de sermos manipulados (ou manipularmos) por uma outra pessoa. Todos buscamos uma maior segurança e possibilidade de sobrevivência, o que é mais facilmente alcançável se houver a colaboração entre todos. No entanto, manipular pessoas psicológica e emocionalmente parece ser, infelizmente, para muita gente, um dos pilares sobre os quais se consegue maior domínio sobre o outro e assim, a ilusão de estar mais seguro.

A manipulação psicológica é a prática de influenciar indevidamente a alguém, com a intenção de tomar-lhe o poder, controlá-lo e obter benefícios e privilégios às custas desta vítima, seja por distorção mental e/ou exploração emocional.

A manipulação é o “pão de cada dia” da sociedade na qual vivemos e todos, querendo ou não, já sofreram com ela ou a praticaram em algum momento. Então, é importante identificar a diferença entre a influência social saudável e a manipulação psicológica: a influência social saudável ocorre entre a maioria das pessoas e è parte do "dar" e "receber" das relações construtivas; por sua vez, na manipulação psicológica, uma pessoa é usada em benefício da outra. O manipulador cria, deliberadamente, um desequilíbrio de poder e explora a vítima para servir às suas necessidades.

Para ficar bem claro, podemos considerar o seguinte:

As fontes mais frequentes de poder são Bens Materiais (que significa qualquer coisa que represente posse), Informação, Tempo e Afeto / Reconhecimento. Na busca de mais poder sobre o outro, o manipulador dá, nega ou controla Bens Materiais, Informação, Tempo e Afeto / Reconhecimento para obter da vítima, através do medo, culpa ou suborno, mais Bens Materiais, Informação, Tempo e Afeto / Reconhecimento. Graficamente podemos representar assim:


Processo de Manipulação Psicológica e Emocional


Aprender a detectar a manipulação emocional e psicológica implica em poder evitá-la, e para isso, a primeira coisa a se fazer é saber como ela realmente acontece. Abaixo estão algumas formas de manipulações habituais usadas para coagir os outros e colocá-los em posição de desvantagem. Evidentemente, nem todos que agem dessas maneiras estão deliberadamente tentando manipular - algumas pessoas simplesmente têm maus hábitos. Ainda assim, é importante reconhecer esses comportamentos e situações onde seus direitos, interesses e segurança estão em jogo. As formas de manipulações são:

1. Vantagem do Ambiente Privilegiado: O manipulador pode insistir que você se encontre com ele e para, então, interagir num espaço físico em que ele possa exercer mais domínio e controle. Os locais comuns para isso são o escritório do manipulador, casa, carro ou outros espaços onde ele se sente dono e tem mais familiaridade – algo que falta a você.

2. Prospecção e/ou Investigação: O manipulador estimula e permite que você fale primeiro para estabelecer sua linha de pensamento e procurar as suas fraquezas. Muitos vendedores fazem isso ao tentar vender algo para você, fazendo perguntas gerais e sondagens. Com isso estabelecem uma linha de pensamento e comportamento, a partir da qual eles avaliam seus pontos fortes e fracos. Este tipo de questionamento com intenção não revelada também pode ocorrer no local de trabalho ou em relacionamentos pessoais.

3. Manipulação de Fatos: Manipula-se fatos de várias maneiras tais como mentindo, pedindo desculpas, culpando a vítima por causar sua própria vitimização, deturpando a verdade, divulgando ou retendo informações estrategicamente, exagerando, subestimando, adotando um viés unilateral da questão e várias outras formas.

4. Oprimir Com Fatos e Estatísticas: Alguns indivíduos fazem uma espécie de "bullying intelectual", presumindo serem especialistas e mais experientes em determinadas áreas. Eles se aproveitam de você ao impor fatos, estatísticas e outros dados que você talvez saiba pouco. Isso pode acontecer em vendas, situações financeiras, discussões e negociações profissionais além dos relacionamentos interpessoais e sociais. Acreditando terem mais conhecimentos específicos do que você, os manipuladores esperam lhe pressionar com isso pois imaginam-se mais convincentes. Algumas pessoas usam esta técnica sem outra razão senão sentir um sentimento de superioridade intelectual.

5. Inibir o Outro Com Procedimentos e Burocracia: Certas pessoas usam a burocracia (papelada, procedimentos, leis e regulamentos, comitês e outros obstáculos) para manter sua posição e poder, ao mesmo tempo em que tornam sua vida mais difícil. Essa técnica também pode ser usada para atrasar a descoberta de fatos e a busca da verdade, ocultar falhas e fraquezas e escapar de decisões supostamente desfavoráveis ao manipulador.

6. Levantar a Voz e Expressar Emoções Negativas: Há quem levante a voz durante as discussões como forma de manipulação agressiva. A suposição costuma ser a de que ao levantar a voz o suficiente ou exibir emoções negativas, você vai se submeter à sua coerção e dar o que ele quer. A voz agressiva é frequentemente combinada com uma linguagem corporal igualmente agressiva.

7. Surpresas Negativas: É comum o uso de surpresas negativas para colocar a vítima em desequilíbrio, e assim ganhar uma vantagem psicológica. Podem ser usadas numa situação de negociação, numa tentativa da pessoa em alcançar algo a mais para si mesmo, sendo que ao ter uma surpresa negativa, passa a acreditar que não será capaz de alcançar. Normalmente, as informações negativas inesperadas vem sem aviso, então você tem pouco tempo para se preparar e à ela adaptar-se.

8. Pouco ou Nenhum Tempo Para Decidir: Esta é uma tática comum, onde o manipulador coloca pressão sobre você para tomar uma decisão antes de você estar pronto. Ao aplicar tensão e controle, ele imagina que você vai "rachar" e ceder às demandas dele.

9. Humor Negativo Programado Para “Cutucar” Suas Fraquezas e Diminuir o Seu Poder Pessoal: Alguns manipuladores gostam de fazer comentários críticos, muitas vezes disfarçados de humor ou sarcasmo, para fazer você parecer inferior e menos seguro. Os exemplos podem incluir qualquer variedade de comentários que vão desde a sua aparência, o modelo antigo de seu celular, a sua condição financeira ou simplesmente o fato de você chegar dois minutos atrasado e sem fôlego. Fazendo você ficar mal, o agressor espera impor superioridade psicológica sobre você.

10. Julgar e Criticar Provocando Sentimento de Inadequação: Diferente do anterior onde o humor negativo disfarça a má intenção, aqui o manipulador declaradamente lhe desmerece. Fazendo isso constantemente, marginalizando-o e ridicularizando-o, ele tira o seu equilíbrio e consegue manter a sua superioridade. O agressor promove, deliberadamente, a impressão de que sempre há algo errado com você, e que não importa o quanto você tente melhorar pois nunca será bom o suficiente. Significativamente, o manipulador enfoca o negativo sem fornecer soluções genuínas e construtivas, ou sem oferecer maneiras significativas de ajudar.

11. O Tratamento Silencioso: Ao deixar de atender as suas ligações ou responder as suas chamadas, mensagens de texto, e-mails ou outras formas de contato, o manipulador presume possuir poder, fazendo você esperar e pretendendo colocar dúvidas e incertezas em sua mente. O tratamento silencioso é um jogo mental onde o silêncio é usado como uma forma de alavancar poder.

12. Fingir Ignorância: Esta é a tática clássica de "fazer-se de bobo". Ao fingir que não entende o que você quer, ou o que você quer que ele faça, o manipulador faz você assumir o que é da responsabilidade dele. Algumas crianças usam esta tática para atrasar, parar e manipular adultos para fazerem por eles o que não querem fazer. Alguns adultos usam essa tática também quando têm algo a esconder, ou obrigação que desejam evitar.

13. Vitimização: As formas mais comuns de vitimização são o exagero dos problemas pessoais ou de saúde reais ou imaginários, a dependência, a codependência, a revelação de que é frágil para suscitar simpatia e favores, agindo de modo errado, sendo fraco, impotente ou um mártir – nesses casos, pode inclusive, ser tudo falso.

Enfim, fica evidente que a finalidade do manipulador é, na maioria das vezes, explorar a boa vontade da vítima, deixá-la com a consciência culpada, estabelecer um senso de dever e obrigação ou um instinto protetor e nutridor, a fim de extrair benefícios e concessões não razoáveis.

Psicólogo Paulo Cesar

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ADOLESCENTES E PSICOTERAPIA

Sinal dos tempos: está havendo, por parte dos adolescentes, uma maior procura por psicoterapia pois almejam o autoconhecimento e a aquisição de conhecimentos sobre a maneira de pensar, sentir, agir e reagir. Nesse artigo, compartilharei alguns aspectos valiosos de minha experiência com adolescentes, esse grupo de pessoas especiais e surpreendentes, e que expressam comportamentos, pensamentos e emoções que variam na escala do “nem são crianças – nem são adultos”.

Os pais querem ver seus filhos bem ajustados, felizes, bem sucedidos e socializados, mas essa é uma condição difícil para os adolescentes pois também estão lidando com a pressão dos colegas, alterações hormonais, expectativas acadêmicas, ideais familiares e o próprio processo de autodescoberta – tudo ao mesmo tempo!!!

A boa notícia é que os adolescentes atuais não mostram preconceito com relação à psicoterapia. A maioria concorda que fazer terapia não significa que a pessoa é louca! Pelo menos 1 em cada 5 adolescentes (20%) têm indicações de psicoterapia, e isso é bem compreensível. Por exemplo, se você quebrar sua perna, você vai a um ortopedista. Se você tem uma dor de ouvido, você vai ao otorrinolaringologista. Se você está deprimido, ansioso ou precisar de alguém para conversar, você vai a um psicoterapeuta cuidar de sua saúde mental.

A saúde mental refere-se, simplificadamente, a como a pessoa age, sente e pensa em diferentes situações. Pode-se dizer que os adolescentes têm problemas de saúde mental quando suas ações, sentimentos ou pensamentos criam regularmente obstáculos em suas vidas. Todo mundo tem momentos em que pensam ou sentem algo que não gostam. Outras vezes, as pessoas fazem coisas que outros não gostam. Ambas as situações são normais, mas quando os indesejados pensamentos, sentimentos ou ações frequentemente criam problemas, há a necessidade da avaliação de um especialista. E quais são, de modo geral, os problemas mais frequentes que os adolescentes apresentam?

As mais frequentes dificuldades dos adolescentes podem ter diversas causas, tais como:
  • Insegurança pessoal: Os adolescentes estão numa fase em que a autoestima pode sofrer alguns “bombardeios”, deixando-os inseguros ou agressivos.
  •  Violência: Quando algo ruim acontece com uma pessoa, ou vêem algo de ruim acontecer, eles podem desenvolver uma dificuldade de comportamento, sentimento ou pensamento ligada ao tema.
  • Sexualidade: Esse tema pode ser considerado o mais frequente. São muitas dúvidas sobre sexualidade que afetam o bem estar e a segurança pessoal.
  • Estresse e ansiedade: Todo mundo fica estressado. Alguns estresses podem ser até ser úteis (como motivar você para estudar para a prova). Mas outros podem causar problemas.
  • Perder um relacionamento: Se alguém próximo a você morre, afasta-se ou não quer mais ser amigo(a) / namorado(a), é normal sentir-se triste ou solitário(a). Geralmente, esses sentimentos melhoram ao longo do tempo, mas também podem se agrava ou afetar outras partes de sua vida.
  • Condições médicas: Algumas condições médicas podem fazer você pensar, sentir ou agir estranhamente.
  • Problemas de humor: Nesse grupo incluem-se a depressão, tristeza, irritabilidade e perda de interesse ou prazer por várias atividades.
  •  Transtornos alimentares: Bulimia e anorexia, a preocupação com a imagem corporal quando exageradas merecem atenção especial.
  • Conduta: Comportamentos repetitivos de contrariedade a normas e padrões sociais, conduta agressiva e desafiadora merecem uma reflexão e eventual mudança.

Eu trabalho com adolescentes a partir dos 15 anos e percebo que eles, inicialmente, se sentem desconfortáveis ao falar dos seus problemas. É absolutamente normal sentir uma estranheza ao falar sobre coisas sensíveis e pessoais. À medida em que se acostumam com o psicoterapeuta, seguem de modo mais confiante e relatam facilmente suas necessidades e desejos. Adolescentes querem falar de si e gostam de ser o centro das atenções. O terapeuta tem que dar a condição para que o jovem discuta sobre sua vida. Isso pode, às vezes, não incluir familiares ou problemas escolares; por outro lado, seus amigos, seus sonhos e objetivos, seus sentimentos e suas frustrações são, com certeza, os temas favoritos de discussão.

Adolescentes facilmente se envergonham. Eles estão numa idade em que a autoestima e confiança está ainda se desenvolvendo. Quaisquer dúvidas ou atividades que os coloquem em ameaça produzirão posturas defensivas e progresso difícil na psicoterapia. Eles precisam se sentir respeitados e valorizados para que o processo funcione. A confidencialidade da terapia, por exemplo, é essencial para o sucesso do tratamento, logo, é necessário definir claramente o que é da competência dos pais, sendo necessário haver fidelidade entre o adolescente e seu terapeuta.

Minha abordagem é a Psicoterapia Individual, onde o adolescente se encontra sozinho comigo para falar sobre seus problemas. Cada sessão dura cerca de 50 minutos e, certamente, poderei pedir-lhe que identifique seus sentimentos e seus problemas. Às vezes, recomendo um "dever de casa" para ajudá-lo a lidar com os problemas. Tudo que é dito na terapia é confidencial, a menos que eu tenha fundamentos para acreditar que o jovem pode se machucar ou a alguém.

Dicas finais:
  • Os adolescentes não podem ser forçados a fazerem psicoterapia, seja qual for o motivo.
  • O terapeuta não vai resolver os problemas do adolescente, mas dará o suporte para que ele mesmo faça isso. A terapia é útil se você trabalhar duro com o terapeuta. O terapeuta vai apoiá-lo, e sugerir formas úteis para trabalhar em problemas. Mas se você não trabalhar para resolver o problema, a terapia não vai funcionar.
  • Não aceite, em hipótese alguma, contatos de ordem sexual. Se houver alguma tentativa, diga “não” e conte a seus pais. Qualquer tipo de contato sexual na psicoterapia é inadequada.

   Psicólogo Paulo Cesar
   Fones 11.5539-0591 e 11.94111-3637
   R. Comendador Paulo Brancato, 45 V. Mariana - S. Paulo, SP (pertinho do metrô)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

PSICOTERAPIA DE PACIENTES DA TERCEIRA IDADE

Será que a psicoterapia de pacientes da terceira idade tem bom efeito? Alguns pensam que não e até justificam dizendo que de nada adianta trabalhar conflitos internos e lutas emocionais quando as vidas dessas pessoas estão próximas do fim ou porque são, na velhice, pessoas cognitivamente comprometidas. Mas isso é um péssimo engano, penso que com algum conteúdo preconceituoso, inclusive.

A sociabilidade é outro tema abordado na psicoterapia tendo-se em vista que o idoso normal não busca a solidão nem quer se isolar – engana-se quem assim pensa! Ele é posto nessa condição por algum motivo como as limitações físicas ou a diminuição do número de amigos que deixam o mundo dos vivos ou, para muitos, a dificuldade pessoal para estabelecer novos relacionamentos.


Sabemos que não viveremos para sempre e que, se nada interromper subitamente as nossas vidas, chegaremos à velhice, “aquela fase” em que a maior parte das pessoas diminuem consideravelmente suas participações na sociedade. A expectativa da morte é universal e a perda de algumas habilidades e capacidades não é improvável. É um período em que há uma clara redução das atividades profissionais, desinteresse em novas atividades, muita introspecção e recolhimento quanto às relações sociais. A vida é finita e as pessoas não conseguem ficar no topo das evidências até o fim, mas não há por que a terceira idade ter um caráter negativo ou não-construtivo. Mesmo com redução de algumas capacidades, o idoso pode dedicar-se a aspectos de suas personalidades, à sociabilidade, inteligência e outros, e se sentirem muito bem com isso, aproveitando, inclusive, o fato de estarem mais livres de algumas obrigações. Podem desenvolver mais a compaixão, o contato consigo próprio, dar um novo sentido para a vida e investir mais em si mesmos, mas, nessa etapa da vida também há sofrimento psicológico dado que há longevos que não olham para trás por receio da comparação com a realidade do momento atual em suas vidas. São pessoas que não aceitam as inevitáveis perdas na qualidade de suas saúdes, ou mesmo não são capazes de aceitarem o envelhecimento e a convivência com suas fragilidades ou com o rompimento dos laços, em razão de suas novas posições na sociedade e na família. Ademais, a perda dos cônjuges são causas de muito sofrimento, tristeza e, às vezes, depressão (muito perigoso nesse estágio da vida já que pode causar o agravamento de doenças físicas). Transtornos mentais diversos podem ser exacerbados com a idade, frutos de solidão, diminuição da autoestima, perda de identidade, etc.


Consciente desse cenário, há muitos anos dedico-me ao estudo da psicologia do idoso, “abrindo” ao atendimento psicológico de pessoas da terceira idade com mais frequência. Passei a fomentar a psicoterapia para cada um dos parentes idosos dos amigos e conhecidos a fim de que possa, com ajuda profissional, fazer um balanço da vida, reconhecer suas passagens e experiências, perdoar a quem deve ser perdoado, aplainar as raivas, rever a vida e conscientizar-se do sentido que teve e ainda tem, e com isso, alcançar a sensação de realização e plenitude. A psicoterapia serve igualmente a boa aceitação do parcial distanciamento da vida social e das mudanças de papeis; de mais a mais, existem perdas a serem elaboradas e que farão a pessoa idosa a não se recriminar nem sofrer inutilmente.


Esclareço aos que são contrários à psicoterapia para idosos que muitos deles deixaram de viver prazerosamente suas vidas e que é importante inverter essa condição. Digo, também, que uma pessoa com a idade avançada vive um momento ideal para desfrutar de sua liberdade das prisões emocionais que viveu ao longo da vida. Há pacientes que dizem: “quero fazer psicoterapia e o motivo é simples: tudo o que me resta é o meu futuro!!!!” Que maravilha isso, não é? Em segundo lugar, costumo comentar sobre uma paciente de 75 anos de idade que sempre estava envolvida em discussões acaloradas com vizinhos e que fazia uso de álcool e que, com a terapia, evidenciou-se uma depressão (pelo não reconhecimento dos seus feitos em vida) e problemas de memória e afasia grave (dificuldade em expressar-se com a linguagem). Seu desejo de se comunicar era intenso e isso era o que lhe permitiu ficar conectada a outros. Trabalhamos, na terapia, o alívio dos sentimentos depressivos e irritadiços, até o dia em que ela disse numa sessão que “sintia-se aliviada e chorava de felicidade”. E acrescentou: “Se eu lhe disser o que está acontecendo de mim agora, teriamos que conversar um mês inteiro sem parar! Eu tinha me esquecido de mim, mas me encontrei e vejo coisas boas em mim agora.... agora eu sei que estava com raiva e vejo que não preciso estar com raiva de todo mundo. Eu não estou muito orgulhosa do que fui, mas gosto de ficar sozinha comigo agora!”. Como poderia um terapeuta não se encantar com a capacidade humana que foi co-existente com os problemas típicos e assustadoras da sua idade? Falo sempre do caso de um senhor de quase 80 anos com queixa inicial de intransigência, mal humor e alguma agressividade, e que passou a me dizer, sempre com excelente humor, que na terapia ele entra em pensamentos profundos e que isso alivia as tensões, emoções e experiências vividas nos demais dias da semana, pois passa a compreendê-las melhor.


Vários temas devem ser abordados na psicoterapia de um paciente da terceira idade. Um deles é a sua identidade, frequentemente sustentada por sua condição corporal - sou o que é o meu corpo. Lembro que não existe só o corpo físico, deve-se considerar, igualmente, o corpo imaginário com o qual a pessoa forma sua identidade e dá vazão às suas comunicações simbólicas. Quando o corpo físico muda, há um choque com o corpo imaginário, comprometendo a identidade da pessoa, e, ao invés de adiar ou negar esse ajuste como faz a maioria, na psicoterapia realiza-se esse ajuste e busca-se o equilíbrio necessário para a expressão reveladora da relação do indivíduo consigo mesmo.


A condição econômico-financeira é fundamental para a estabilidade emocional e psicológica do idoso que precisa ter uma renda própria para garantir qualidade de vida numa sociedade onde pessoas são avaliadas pelo que possuem. Qualquer pessoa numa idade avançada não quer depender de ninguém; pelo contrário, quer ter autonomia e manter a liberdade conquistada em sua vida. Imagine os conflitos de uma pessoa que na velhice não tem as condições adequadas para assegurar uma boa qualidade de vida... Ou mesmo daquele que não consegue se aposentar e fica antecipadamente condenado por não ter feito nada: quem não assegura uma aposentadoria digna é visto como um fracassado e se não se aposentar, carregará o estigma de não ter dinheiro, sendo visto pelos demais – inclusive a família! – como um incapaz, um derrotado, um pária.


Freud afirmou que a sexualidade é o mais forte dos impulsos e deu-lhe o nome de libido. Acredita-se que uma pessoa idosa tem a libido diminuída ou nula, chegando-se até a proibir ou discriminar aquele que queira manifestar a sua sexualidade – velho nojento, imoral, etc. Mas o fato é que os desejos sexuais não diminuem com a idade, então, o idoso que estiver bem fisicamente (com o uso de medicamentos ou não) e com desejo de viver plenamente a sua sexualidade, sofrerá censura e será condenado pela sociedade, sendo obrigado a esconder de todos, e até de si mesmo, esse impulso maravilhoso.


O tema “morte” é clássico nessa psicoterapia, sendo obrigatório estimular a reflexão a respeito dela visto que se era algo que parecia distante, na velhice sente-se cada vez mais perto, envolvendo medos, arrependimentos, culpas, vontade de corrigir coisas, etc. O idoso deve ser ajudado a encarar a senilidade apenas como mais uma etapa da vida que pode e deve ser vivida de forma plena. A finitude, por sua vez, além de ser uma nota essencial da vida humana, possibilita o entendimento do caráter da existência. Não se escapa da aceitação da responsabilidade pela vida quando nos referimos à temporalidade, à vida que só vive uma única vez. Talvez o sentido último da psicoterapia de pessoas da terceira idade seja fazer com que esses pacientes experimentem e assumam a responsabilidade pelo cumprimento de suas missões pois quanto mais aprendermos o caráter de missão que a vida tem, tanto mais nos parecerá repleta de sentido as nossas vidas.


Psicólogo Paulo Cesar

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

COMO ANDA O SEU HUMOR? TRISTE, RESMUNGÃO E DESMOTIVADO? VOCÊ PODE ESTAR COM DISTIMIA!

Você tem se sentido triste, desanimado a mais ou menos dois anos? Nesse período, tem reclamado da vida, de tudo e de todos e nunca se dá por contente com nada? Seu mau humor é constante? Anda desmotivado? Cuidado, ao invés de ser uma pessoa “excêntrica” e de personalidade e temperamento complicados, você pode estar com um transtorno depressivo persistente conhecido como Distimia, uma espécie de depressão leve e crônica, menos grave e com menos sintomas do que a depressão maior mas que incomoda muito ao paciente e às pessoas com quem ele se relaciona.

Os portadores do transtorno são realmente pessoas de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica. Estão sempre irritados, reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas. É um quadro que acomete a adultos, adolescentes e crianças e é de difícil diagnóstico pois confundem-se os sinais da enfermidade com um simples mau humor (inclusive por seus amigos e familiares), o que dificulta muito a aceitação do transtorno e, principalmente, a iniciativa de buscar ajuda.

A distimia pode ser causada geralmente por uma combinação de fatores diversos como os biológicos, psicológicos e/ou ambientais, em vez de uma única causa da doença. A herança genética pode desempenhar um papel causador, assim como o funcionamento anormal nos circuitos cerebrais que ligam diferentes regiões do cérebro e que regulam o humor, mas sabe-se que os principais estressores da vida, uma doença crônica, medicamentos e relacionamentos interpessoais ou problemas de trabalho também podem aumentar as chances de “fazer” uma distimia em pessoas biologicamente predispostos a desenvolver depressão. Mas atenção, diferentemente da depressão maior que se instala de repente, a distimia não tem essa marca brusca de ruptura. O mau humor ou tristeza são constantes.

Quais são os sinais e sintomas da distimia? Os sintomas são os mesmos que os da depressão maior, mas em menor número e não tão intensos. O doente distímico não terá mais do que um período livre de sintomas de dois meses, durante o curso da doença, e deve experimentar, pelo menos, dois dos seguintes sinais e sintomas:
  • Baixa apetite ou comer demais.
  • Insônia ou sono excessivo.
  • Cansaço / fadiga / perda de energia.
  • Tristeza ou humor deprimido ou mau humor na maior parte do dia.
  • Perda de prazer nas coisas que antes eram agradáveis.
  • Baixa autoestima e sentimentos de inadequação.
  • Dificuldade de concentração ou de tomar decisões.
  • Sentimentos de desesperança ou inutilidade ou culpa excessiva.
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, o plano de suicídio ou tentativa de suicídio.
O tratamento da distimia é feito com psicoterapia ou com uma combinação de psicoterapia e medicamentos antidepressivos, em casos de mair gravidade. A psicoterapia é usada em distimia e outros transtornos do humor para ajudar a pessoa a desenvolver habilidades de enfrentamento adequadas para lidar positivamente com a vida cotidiana e para desfazer crenças negativas errôneas desafiadoras sobre si mesmo. A psicoterapia também pode ajudar a aumentar a aderência com medicação e hábitos de vida saudáveis, bem como ajudar o paciente e sua família a entender o transtorno de humor.

Há pessoas com distimia leve que preferem se tratar sem medicação. Para esses, há uma série de mudanças no estilo de vida e remédios naturais que podem ser úteis. Mudanças de estilo de vida saudáveis ​​que podem ajudar a aliviar a distimia incluem dormir o suficiente, uma dieta saudável, a definição de pequenas metas para si mesmo, limitar a ingestão de álcool e a abstenção de qualquer outra droga. Um dos remédios naturais que encontraram algum sucesso no tratamento de depressão leve é a erva de São João, no entanto, estes tratamentos têm resultados variáveis ​​e podem resultar em efeitos secundários, logo devem ser tomadas em cooperação com um médico.

Em casos mais graves, é necessário a adição de antidepressivos ao tratamento, sendo que existem diferentes classes de antidepressivos disponíveis, portanto, apenas o médico, preferencialmente um especialista em psiquiatria, deverá prescreve-lo. O tratamento da distimia graves sempre é mais eficaz quando se inclui o tratamento de medicação e um bom período de psicoterapia. Como mencionado, hábitos de vida saudáveis​ como uma dieta bem equilibrada, exercícios regulares, abstinência de álcool e tabaco e relações positivas e frequentes com amigos e familiares são importantes para melhorar o humor e bem-estar.

As pessoas com distimia têm maior risco de complicações em suas vidas como problemas conjugais, problemas de relacionamentos, insucesso profissional, etc. pois geralmente tem baixo apoio social. Não é errado dizer que estes riscos são maiores para quem sofre de distimia do que para os que sofrem com depressão maior, devido à natureza crônica da doença e maior influência de fatores estressores no desenvolvimento de distimia..

Se você está triste, resmungão, irritado e de mau humor, e se esses sintomas estão presentes há mais de duas semanas, procure ajuda especializada, será melhor para você e sua família. Fique atento a condições de desânimo e tristeza, alterações do apetite e do sono, falta de energia para agir, isolamento social e tendência ao uso de drogas lícitas, ilicítas e de tranquilizantes. A distimia, assim como a depressão clássica, pode atingir crianças e adolescentes. Às vezes, esses transtornos estão camuflados atrás do baixo rendimento escolar, do comportamento antisocial e do temperamento agressivo que não conseguem controlar.

Se, nos últimos tempos, seus amigos e parentes têm comentando que você anda de cara amarrada, irritado, descontente com tudo e com todos, esteja certo de que isso não é normal; não subestime os sintomas da distimia nem se iluda atribuindo esses sintomas ao envelhecimento, à teimosia, à obstinação e as grosserias, ao mau humor e às queixas do “excêntrico” que só reclama e não quer sair de casa.

PAULO CESAR T. RIBEIRO.'.
Psicólogo / Psicoterapeuta
Celular: 11.94111-3637
Em S. Paulo, SP: 11.5539-0591 - R. Comendador Paulo Brancato, 45 - V. Mariana, CEP 04017-100
Em Santos, SP: 13.2138-4059 - Av Conselheiro Nébias, 703 Conj.2102 - Boqueirão - CEP 11045-003
Email: paulocesar@psicologopaulocesar.com.br
Site: www.psicologopaulocesar.com.br

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

PSICOLOGIA POSITIVA - NOVOS RUMOS EM PSICOTERAPIA



Há muito tempo que se fala que a psicoterapia é indicada para o tratamento dos problemas de comportamento, emocionais e psicológicos. É comum (e correto) pensar na na capacidade da psicoterapia em sanar transtornos como a depressão, a síndrome do pânico, ansiedade, psicossomatizações, complexos diversos, etc., assim como para ajudar as pessoas que buscam autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Mas algo de novo vem mudando esse quadro para melhor; uma mudança boa, que me entusiasma e que tem contado com toda a minha dedicação para incluí-la em meu repertório profissional. Refiro-me à Psicologia Positiva, uma forma de se praticar a psicoterapia não apenas para o tratamento de aspectos psicopatológicos como também dos aspectos potencialmente saudáveis de uma pessoa. É uma psicologia que muito leva em conta o ensinamento e preparação das pessoas em termos de resiliência, a esperança, o otimismo, como modo de torná-las mais resistentes aos transtornos psicológicos (como a depressão, por exemplo) e capazes de viverem de forma mais feliz e produtiva.

Na psicoterapia com base na Psicologia Positiva, as seguintes bases serão abordadas na busca de se atingir o objetivo acima mencionado:
  • Os traços individuais/psicológicos positivos: compaixão, sabedoria, integridade, coragem, criatividade, autocontrole.
  • Os estados positivos de bem-estar subjetivo: satisfação com a vida, felicidade e otimismo.
  • Os relacionamentos positivos: vínculos afetivos positivos tais como os vínculos com familiares, amigos e colegas de trabalho.
  • As instituições positivas: comunidade, escola, ambiente de trabalho, etc.

Um ponto merece destaque especial: o insistente desenvolvimento da resiliência, uma das indicações de que a pessoa está tendo uma vida adequada e potencialmente feliz. Trata-se de uma habilidade para a superação, da forma mais saudável e construtiva possível, das situações de crise e adversidade. Ao trabalhar o desenvolvimento da resiliência do seu paciente, o psicoterapeuta intenciona ajudar a mudar os sentimentos/pensamentos negativos para sentimentos/pensamentos positivos através da compreensão do poder e das funções dos sentimentos negativos, a qual pode ser considerada uma função adaptiva e essencial à sobrevivência. Observe, então, que não se trata de suprimí-los ou evitá-los, mas sim de aceitá-los, compreendê-los e mudá-los:
  • Aceitá-los - não significa segui-los! Se os sentimentos/pensamentos  negativos perturbam o paciente, esse deve orientar-se pelos seus valores focando-se em suas virtudes e objetivos.
  • Compreendê-los: deve-se analisar e interpretar os pensamentos/sentimentos negativos. Isso pode ser ampliado se o paciente faz essa análise e interpretação também fora do “set terapêutico”, partilhando com alguém em quem confie.
  •  Mudá-los: quer dizer, o terapeuta ajuda o paciente no processo de substituição dos sentimentos negativos por sentimentos positivos!

Duas são as maneiras mais práticas de ajudar a quem quer mudar os  sentimentos/pensamentos negativos para pensamentos positivos e aumentar a resiliência. Essas maneiras são a descontrução das  crenças irracionais e a utilização de técnicas de reestruturação mental / cognitiva.

Mas não é apenas isso e muito vou comentar em textos futuros. Por enquanto, quero encerrar esse artigo dizendo que além da prevalência de sentimentos/pensamentos positivos sobre sentimentos/pensamentos negativos, a psicoterapia baseada na Psicologia Positiva deve focar também os seguintes itens:
  • A capacidade de perdoar como forma de diminuição da dor.
  • O foco no presente, isto é, ajudar o paciente a não ficar preso no passado mas sim viver o presente.
  • Reforçar a esperança por um futuro cada vez melhor e para isso, o otimismo é fundamental.
  •  Identificar o sentido da vida”.

Assim, com esses “novos ventos psicológicos”, podemos contribuir muito para que as pessoas com quem lidamos possam por em prática os princípios do A, E, I; O; U da Felicidade, que são Autonomia, Energia Psíquica/ Entusiasmo, Interindependência, Otimismo e Usufruir da vida, tansformando fraquezas em forças e surpreendendo positivamente no âmbito dos relacionamentos interpessoais.

PAULO CESAR T. RIBEIRO.'.
Psicólogo / Psicoterapeuta
Celular: 11.94111-3637
Em S. Paulo, SP: 11.5539-0591 - R. Comendador Paulo Brancato, 45 - V. Mariana, CEP 04017-100
Em Santos, SP: 13.2138-4059 - Av Conselheiro Nébias, 703 Conj.2102 - Boqueirão - CEP 11045-003
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Site: www.psicologopaulocesar.com.br

sábado, 31 de outubro de 2015

FAÇA PSICOTERAPIA, É BOM PARA QUALQUER PESSOA!

Aqui entre nós, é mais efetivo aliviar seus problemas emocionais com um psicólogo do que expondo-se no Facebook!!

Assista esse vídeo e saiba por que!!

video


PAULO CESAR T. RIBEIRO.'.
Psicólogo / Psicoterapeuta
Celular: 11.94111-3637
S. Paulo, SP: (11) 5539-0591 - R. Comendador Paulo Brancato, 45 - V. Mariana, CEP 04017-100
Santos, SP: (13) 2138-4059 - Av Conselheiro Nébias, 703 Conj.2102 - Boqueirão - CEP 11045-003
Email: paulocesar@psicologopaulocesar.com.br

Site: www.psicologopaulocesar.com.br

A PSICOTERAPIA AJUDA A PESSOA A SER FELIZ?


Por conta de meu trabalho como psicoterapeuta, atendo uma quantidade enorme de pessoas infelizes. Minha missão frente a elas é investigar as causas da infelicidade e ajudá-las a encontrarem seus caminhos pessoais para que sejam felizes e saudáveis. Um de minhas frases recorrentes e que "todo mundo quer ser feliz: amar, ser amado e ser feliz!". De fato, está mais do que constatado que essa é a busca mais comum em toda a humanidade. Mesmo que a pessoa diga que quer ser infeliz, sabe-se que, na verdade, nesta pessoa há também uma busca escondida e que é sempre otimista e positiva. Lembremo-nos de Pascal quando se referia a essa questão, dizendo que "todos querem ser felizes, inclusives os que vão se enforcar...".

Eu tinha uma outra postura antigamente, ainda com grande influência dos tempos de faculdade, postura aquela que fazia com que eu abordasse o tema da felicidade através da velha questão grega e filosófica, onde felicidade, vida boa e sabedoria se integram; logo ví que, para os objetivos de um trabalho psicoterapêutico, aquela visão e postura antiga não tinham aplicação. Afinal de contas, de que serviria “filosofar” sobre o assunto, sem ajudar o paciente a encontrar algo prático, como é a própria vida, para ser feliz?

A felicidade é uma meta, mas sei que o sistema em que vivemos dificulta sobremaneira que se atinja essa meta. A estruturação do trabalho, o sistema econômico, a injustiça social, os dramas familiares, além de todas os transtornos mentais leves ou não, realmente atuam deixando para as pessoas a impressão que não é possível (muitas vezes, nem aceitável) que sejam felizes. Aquele que consegue alcançar a felicidade, drástica e apressadamente é chamado de sábio – apenas por ter encontrado o caminho da felicidade!!!! Aqui cabe uma pergunta bem pertinente ao mundo moderno: e se a felicidade for obtida por conta de uso de antidepressivos, euforizantes, ansiolíticos, enfim, por pílulas que se oferecem para que a humanidade se sinta permanentemente (e sem nenhum efeito secundário, sem viciar, sem dependência !!!), num estado de completo bem-estar, de completa felicidade, isso seria ser verdadeiramente um sábio (e feliz)?
 
Bem, meus amigos, se ser sábio significa ser feliz, concluo que isso não se consegue de qualquer maneira ou a qualquer preço, logo não é uma felicidade qualquer, em especial, como é a felicidade dessas pílulas “mágicas”. Não é uma felicidade obtida à custa de drogas, ilusões ou diversões. Creio que o papel do psicólogo, nesse casa, é trabalhar pela adesão aos medicamentos porém apenas temporariamente e conforme o caso pois uma pessoa dever a sua felicidade a um remédio é algo inconsistente, falso e preocupante. Evidentemente o mesmo se aplica a uma felicidade que proviesse apenas de um sistema eficaz de ilusões, mentiras ou esquecimentos.

Durante a psicoterapia, é importante que o paciente aprenda que o essencial é não mentir, e antes de mais nada não se mentir. Não se mentir sobre a vida, sobre nós mesmos, sobre a felicidade. E se a pessoa não estiver feliz, entender e aceitar essa condição evitando um tipo de felicidade malograda ou outros tipos de armadilhas. Há de se compreender a idéia de que a felicidade depende, em muito, das nossas ações e da nossa abertura para o amor. Você já percebeu que muitos infelizes não se abrem para a experiência amorosa, seja essa um amor romântico ou apenas fraternal?

Depois de um bom tempo de experiência como psicoterapeuta, vejo que o que falta à uma pessoa para ser feliz é “saber viver” em seu sentido profundo, um “saber viver” que nos faz entender que não há ciência tão árdua quanto a de saber viver bem e naturalmente esta vida. É quase uma forma de arte ou de aprendizado: o de aprender a viver, apenas isso. Então, ser feliz é uma questão de vontade! E, mais do que a atitude positiva diante do amor, o paciente precisa ser disposto a experimentar mudanças sempre, com um bom sentido de “aqui e agora”. Melhor será se der vazão à sua atividade criadora e buscar a realização do próprio potencial.

E eu sou feliz? Bem, já tive muitos problemas como qualquer pessoa normal mas não diria que eles tenham reprimido o meu potencial para ser feliz. Neste momento, não vai nada mal e a alegria me parece imediatamente possível. Cedo tomei consciência de que não havia nascido em um “berço de ouro” e tive que trabalhar muito, apostando sempre na psicologia, ciência que adoro. Tive sorte, estive doente e continuo vivo e contente de assim estar. Ora, a não ser por algum novo problema ou mesmo uma angústia particular, sou um amante da vida (isso inclui minha família e amigos queridos) e me apraz viver e lutar pela vida - pela boa vida - e buscar novos conhecimentos. Se isso não é felicidade, então o que é a felicidade?

PAULO CESAR T. RIBEIRO.'.
Psicólogo / Psicoterapeuta
Celular: 11.94111-3637
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domingo, 12 de julho de 2015

ACESSE O WEBSITE DO PSICÓLOGO PAULO CESAR:

www.psicologopaulocesar.com.br

SEPARAÇÃO / DIVÓRCIO - UM BOM MOMENTO PARA FAZER PSICOTERAPIA

Paulo Cesar Teixeira Ribeiro

Como se diz por aí, “casar é fácil, difícil é se separar!”.... E sim, é verdade que os sentimentos e emoções vivenciados numa separação de casal podem tão intensos que chegam a desestruturar uma pessoa, normalmente aquela que tem mais dificuldade em lidar com a perda.
O casamento pode ser considerado, psicologicamente, um espaço no qual o mundo interno de cada um é reencenado e as necessidades e ansiedades se expressam na expectativa de respostas e soluções. Sempre existem fantasias inconscientes de cada cônjuge sobre como deve ser o casamento, sendo o amor o responsável pela ilusão de encontrar, na realidade, a resposta para o desejo experimentado no mundo inconsciente. Essa é uma visão psicológica da vida conjugal.
Claro que ninguém se casa pensando em se separar. Ao contrário, as expectativas e o olhar no futuro vislumbram apenas coisas positivas, além disso há ainda o companheirismo, cumplicidade, amizade, apoio mútuo, lealdade, prazer e a vontade de ter filhos e a vontade de formar a própria família. Porém, quando o casamento acaba, uns “se resolvem” facilmente e outros se vêem sozinhos, ficam deprimidos, não conseguem aceitar a nova realidade e lida com o novo status na vida. De fato, essa pessoas podem ficar tão estressadas que poderão sofrer, além da depressão que mencionei, de transtornos como ansiedade, síndrome do pânico, hostilidade, medo, raiva, abuso de álcool ou drogas, e, é claro, crises existenciais profundas. Esse artigo está endereçado a quem sofre intensamente a perda do amor. Essas pessoas se apegam fortemente às outras e a incluem em suas próprias identidades, mesmo que seus relacionamentos sejam destrutivos. Mas no dia em que o casamento ou o namoro termina é preciso descobrir sozinho o que fazer, e não há rito predeterminado para isso. É hora de descobrir por conta própria o que fazer, para onde ir, para quem e com quem contar, e, acima de tudo, como reorganizar a própria vida e retomar a rotina.
Para digerir tudo isso é importante falar sobre o que sente, pensa. Isso faz parte da busca pelo entendimento do que se passou, favorecendo a reconstrução de uma nova identidade, a recuperação da autoestima, deixar de chorar por algo que aconteceu e tocar a vida para frente. O tempo é importante, sendo que uns levam mais, outros menos tempo, mas é fundamental parar para elaborar o que ocorreu, o que foi sentido, o que foi e que não foi vivido. Com o tempo, a pessoa consegue refazer seus planos, abandonando os antigos projetos, e perceberá que a felicidade e as inúmeras possibilidades que nos levam a ela, está em nós e que só depende de nós mesmos alcançá-la e apropriar-se dela. Nesse estágio, posso afirmar que o “ex-sofredor” aceitou a separação. Aceitar não é se conformar, não é passar a gostar do que aconteceu, não é concordar com o que aconteceu. Aceitar é combinar com você mesmo que você não vai mais entrar nessa briga interna a respeito do acontecido e vai seguir com a vida.
Aprendi ao atender clientes em separação ou divórcio, que é praticamente inevitável o entorpecimento causado pelo choque e que não deixa a “ficha cair”. A isso, costuma seguir a raiva e as tentativas de manter a relação, quando então, vendo o insucesso da tentativa, entra em desespero, reconhecendo finalmente a perda e a impossibilidade da voltar. Por fim, vem a tão desejada recuperação, com a tristeza dando lugar a sentimentos positivos e a pessoa avaliando o que fará para viver bem a nova vida.
Algumas dicas que sugiro para superar essa difícil fase são as seguintes:
• Fale sobre sua perda e sua dor. Não evite o assunto pois falar sobre ele faz bem. O psicólogo pode ser a pessoa com quem você fará o desabafo.
• Em hipótese alguma, aceite o sentimento de culpa. Simplesmente analise o que aconteceu.
• Elabore os sentimentos negativos como a raiva pois é importante percebê-los e expressá-los.
• Não se isole.
• Evite decisões importantes ou grandes mudanças no primeiro ano após a separação.
• Exercite lembrar-se de eventos positivos de sua vida em que não houve a participação do outro.
• Se tem algo do que se foi em sua casa, empacote tudo, devolva ou guarde fora do seu campo de visão.
• Passe as datas importantes com seus amigos queridos e familiares.
• Não queira mostrar aos seus amigos que você está infeliz.
• Re-adeque-se à realidade da vida e ao trabalho.
• Não tenha expectavas ilusórias.
• Pare de se perguntar “Por que isso aconteceu comigo”? e faça perguntas que olham o futuro como “O que devo fazer para ser feliz?”
Será muito positivo se você procurar uma ajuda profissional, mas não aceite quem diz que tudo será resolvido numa única ou poucas sessões, ou mesmo num alegre e único momento grupal. Estalar os dedos e dizer "vai, seja feliz" é uma atitude irresponsável. Vai acontecer que na primeira emoção/frustração mais marcante você poderá ver no chão o pseudo-equilíbrio instalado pela cura imediata. Saiba que a maioria das pessoas que fazem psicoterapia não são doentes: são pessoas comuns enfrentando problemas, passando por crises e muitas delas sofrendo uma perda. Com o psicoterapeuta você poderá dividir seu sofrimento, sua revolta, seu medo, suas lembranças dolorosas, sua culpa e seus conflitos, e será compreendido e orientado nas decisões a serem tomadas. As sessões de terapia, seguramente, farão você se sentir melhor!

Psicólogo Paulo Cesar
Em São Paulo: R. Comendador Paulo Brancato, 45 – Vila Mariana (Próximo à estação Vila Mariana do metrô) - Fone 11.5539-0591
Em Santos: Av. Conselheiro Nébias, 703 Conj 2101 - Boqueirão - Fone 13.2138-4059

FOCO DA PSICOTERAPIA DE PACIENTES HOMOSSEXUAIS

Paulo Cesar Teixeira Ribeiro 

Nesses anos como psicoterapeuta tenho atendido pacientes que necessitavam de orientações sexuais, ou que apresentavam diversos distúrbios sexuais, conflitos quanto a sua identidade, e muitas dessas pessoas, por mais incrível que possa parecer, já me pediram ajuda para que deixassem de ser homossexuais!!! Meus amigos, sinto-me absolutamente seguro e experiente, muito confortável mesmo, para afirmar que transformar um homossexual num heterossexual é inconcebível, ou seja: não há possibilidades de mudar a identidade sexual afirmada de uma pessoa. A aceitação dessa afirmativa vai ao encontro da idéia de que a homossexualidade não pode mais ser vista como uma “doença” ou um “desvio”, um “transtorno”. Ela é, com toda a certeza, uma modalidade própria do amor, uma maneira de amar e se sentir amado, e que tem, contudo, uma dolorosa consequência que é a solidão. Esse é um dos principais focos deste processo terapêutico e sobre o qual, direi umas poucas palavras.

Com muita frequência esses pacientes revelam seus sofrimentos com frases como essas:

- “sou homossexual e a minha família não me aceita”
- “meus pais não me aceitam como sou”
- “somente minha irmã sabe que sou gay”
- “me sinto muito infeliz pois sou muito sozinho”

Esse é o real problema a ser tratado na homossexualidade: a solidão afetiva! O homossexual conquistou seu espaço na sociedade (a despeito da ainda existente e absurda homofobia), mas é uma pessoa solitária. Seu problema não é mais a afirmação da sua identidade sexual mas sim, conseguir e vivenciar o amor, algo indispensável e importantíssimo para todos nós. Fazer sexo não é problema para homossexuais. Isso é fácil de conseguir, mas a afeição, a ternura, o compartilhamento da sua vida com um companheiro que o ame, dividindo o seu cotidiano lhe faz muita falta e a dor dessa falta é quase insuportável.

A solidão trás uma sensação de abandono e amargura, às vezes até de ser desprezado. Sufoca a alegria de viver e modifica a pessoa em sua beleza interna. Isso machuca muito. Assim, a psicoterapia, nestes casos, deverá ter como objetivos a confirmação e autoaceitação da sua identidade sexual e a abertura e confiança para experiências interpessoais significativas (não superficiais, portanto) que possibilitem o encontro amoroso, aquele encontro que preenche a alma e que faz qualquer pessoa se sentir plena e realizada!

Psicólogo Paulo Cesar

Em São Paulo: R. Comendador Paulo Brancato, 45 – Vila Mariana (Próximo à estação Vila Mariana do metrô) - Fone 11.5539-0591
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